Monday, May 28, 2007

A insustentável leveza do ser

O checo Milan Kundera escreveu, para mim, um dos livros mais profundos e marcantes da literatura contemporânea - A insustentável leveza do ser -, que explora as vastidões do amor. O romance mostra-nos que, como na vida, tudo aquilo que escolhemos e apreciamos pela sua leveza acaba rapidamente revelando o seu verdadeiro insustentável peso. Recentemente voltei a cair na tentação de olhar para esta obra imponente e cheguei à conclusão que é quase uma cópia fiel, claro está bem adaptada, da nossa realidade e subsistência. E explico:Ao longo dos anos, milhões de euros caíram dos céus sobre a Madeira e permitiram, pela sua leveza, que muitos monstros e caprichos se construíssem e crescessem nesta terra. Hoje, essas obras do infinito, que por mero acaso - lá estou eu! - coincidiram com o enriquecimento de muitos artistas da praça, começam a ganhar um insustentável peso pelas suas dimensões, custos de manutenção e/ou pouca viabilidade económica. O fim, tal como no livro de Kundera, é uma incógnita, mas à medida que vou 'desfolhando' a realidade mais ciente fico que o epílogo será inevitavelmente trágico. Isto não impede, no entanto, que alguns iluminados, não satisfeitos com os elefantes brancos que por aí vagueiam, continuem, com leveza, a sonhar com a construção de projectos desumanos, um ultraje para quem vive no limiar da pobreza, ainda para mais numa altura que as finanças públicas estão no 'alerta laranja'. Seja como for, não vale a pena bater com a cabeça no muro das lamentações, ainda que custe, porque é esta a nossa triste vivência. É este o mundo que tem sido criado e para o qual estamos destinados. Terá mesmo de ser assim? P. S. Porque hoje estamos a ser lidos por mais algumas pessoas não consigo parar de dar saltos.

Rápidas melhoras à (triste) Oposição

Hermínio Loureiro, presidente da Liga de Clubes, o homem a abater por Benfica e Nacional, esteve há dias na Madeira para participar num debate sobre 'Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto/Lei de Bases do Sistema Desportivo da RAM'. Falou-se demasiado tempo sobre a proposta do Governo da República e da pronta resposta dos governantes da Madeira - discutir sem apresentar ideias é típico do bom português. Os 'coitadinhos daqui' expuseram argumentos contra o 'fascismo' central, mas esqueceram-se de debater o mais importante, do obsoleto sistema desportivo regional que é fundamental alterar. Ausente do debate esteve a triste Oposição da Madeira. Gostaria de ter ouvido a triste Oposição sobre o assunto, mas a triste Oposição está mais preocupada em continuar a ser triste Oposição, do que em fazer algo por nós madeirenses. É o que temos, uma triste Oposição - estarei a ser repetitivo? Depois das eleições, o 'coitado', perdão, o candidato Jacinto Serrão foi 'empurrado' para Lisboa, porque não se demitiu, prometendo - ufa! - não se candidatar a mais nada. A triste Oposição, aquela que mal viu o 'cadáver' do político entrar em decomposição, saltou de imediato para agarrar o apetitoso osso, mas em vez de fazer alguma coisa por nós madeirenses, continua a insistir nas 'guerras de comadres'. Gostaria de ver uma alternativa política na Madeira, que aparecesse alguém com ideias práticas, viáveis e concretas para ajudar o futuro desportivo da Madeira, mas com José António Cardoso e João Carlos Gouveia... só me apetece dizer: "Volta Jacinto, estás perdoado!" Onde anda a malta nova? Ah, já sei, anda 'encostada' pelos barões da política - e ainda dizem que o desporto é um mundo de cão. É o que temos, uma triste Oposição. E como só há uma triste oposição, no desporto o 'grito do Ipiranga' partiu de Alberto João Jardim: "Uma vergonha", disse, comentando as épocas desportivas de Marítimo e Nacional, sobretudo a temporada dos verde-rubros. A segunda consecutiva. Será que não há duas sem três? Convirá que o adágio popular não faça as delícias daqueles que se 'abrigaram' no alto das montanhas, caso contrário... vão rolar (mais) cabeças. Tempo não vai faltar para planear (como deve ser) a próxima época. Com 'pazos' certos e rezando para que 'Jesus' consiga fazer milagres, o Marítimo não mais poderá dar 'tiros nos pés' com erradas políticas de contratações e afins. Os dirigentes não marcam golos, é certo, mas por vezes dão ajudas involuntárias nos autogolos. E neste Marítimo têm sido marcados muitos autogolos. Demasiados. Já sei que (muitos) me querem apertar o pescoço...
Bem-vindos